domingo, 21 de agosto de 2011

A tecelagem e o renascimento


A tecelagem é uma técnica muito antiga, na época atual existe um preconceito muito grande em considerar a tecelagem como linguagem de arte, para muitos ela é considerada como forma de artesanato.

Os primeiros homens a utilizar o principio da tecelagem, foram da era pré- histórica, há cerca de 12000 anos atrás, utilizavam gravetos entrelaçados para construir barreiras, escudos e cestas.Quanto ao uso da tecelagem como fim de vestuário, “os primeiros fragmentos de tecido datam de 6.500 a.C. e foram encontrados em Nehal Hemar , uma caverna do deserto, em Israel, Com o passar dos séculos o tecido se diversificou tornando-se industrial (manufatura), hoje classificamos a tecelagem em industrial (feitos a maquina) e artesanal (feitos a mão)”. Com o passar do tempo, os materiais utilizados na tecelagem se decompõem, por conta disso, tapeçarias antigas completas são raras de ser encontradas.

O renascimento resgata formas e valores greco-romanos da Antiguidade Clássica, especialmente da cultura grega entre os séculos VI a.C. e IV a.C. Essa retomada acontece várias vezes ao longo da história ocidental, inclusive na Idade Média. Entretanto é mais intensa do século XIV ao XVI na Itália. No século XVIII, a tendência se repete com o nome de neoclassicismo. O classicismo é profundamente influenciado pelos ideais humanistas, que colocam o homem como centro do Universo. Reproduz o mundo real, mas moldando-o segundo o que é considerado ideal. As obras refletem princípios como harmonia, ordem, lógica, equilíbrio, simetria, objetividade e refinamento.

A razão é mais importante que a emoção. As adaptações aos ideais e aos problemas dos novos tempos fazem com que o classicismo não seja mera imitação da Antiguidade.

Na época renascentista, por exemplo, a alta burguesia italiana em ascensão, na disputa por luxo e poder com a nobreza, identifica-se com os valores laicos da arte greco-romana. Um dos nomes importantes nessa fase foram Leonardo da Vinci (1452-1519), que foi matemático, escultor, arquiteto, físico, escritor, engenheiro, poeta, cientista e pintor. Suas grandes obras foram inúmeras. Podemos citar O Homem Vitruviano, em que demonstra as proporções do homem, a Monalisa e a Santa Ceia.

Outro grande nome foi Michelângelo (1475-1564) que, além de pintor, foi escultor, poeta e arquiteto. Suas grandes obras foram as esculturas de Davi e La Pietá, e os afrescos da capela sistina, com ênfase na Criação.

“O Renascimento (ou Renascença) foi um período na história do mundo ocidental com um movimento cultural marcante na Europa, considerado como um marco do final da Idade Média e o início da Idade Moderna. Começou no século XIV na Itália e difundiu-se pela Europa no decorrer dos séculos XV e XVI.

Além de atingir a Filosofia, as Artes e as Ciências, o Renascimento fez parte de uma ampla gama de transformações culturais, sociais, econômicas, políticas e religiosas que caracterizam a transição do Feudalismo para o Capitalismo. O Renascimento Cultural manifestou-se primeiro na Península Itálica, tendo como principais centros as cidades de Milão, Gênova, Veneza, Florença e Roma, de onde se difundiu para todos os países da Europa Ocidental. Porém, o movimento apresentou maior expressão na Itália,mas também é importante conhecer as manifestações renascentistas da Inglaterra, Alemanha, Países Baixos, e menos intensamente, de Portugal e Espanha.”

Podemos dizer que a técnica de tecelagem passou por três séculos de transformações, no sentido de seu uso, poucas mudanças na forma de se produzir haviam acontecido, seguiam-se os mesmos padrões da idade media, o oriente deixou até certo ponto de ser fornecedor oficial para países europeus, países como Itália, França e Bélgica se viram obrigados a produzir as matérias primas, aos poucos a tecelagem deixou de ser uma forma de arte autônoma e de expressão livre passando a ser uma arte de interpretação e, depois de pura imitação de pinturas da época, que por sua vez se limitavam a natureza.

Ateliês foram formados entre os séculos XV e XVI unindo tecelões belgas e franceses entre Veneza e Florença, o país da Itália teve muita expressão no renascimento, Ferrara foi a primeira cidade italiana escolhida para a aberturas de ateliês de tecelagem no século XV, ali já havia dois tapeceiros bastante reconhecidos na época: Jacques d’ Ange e Pierre d’ Andre que foram contratados como restauradores de peças do patrimônio.

O auge da tapeçaria de Ferrara aconteceu mais tarde, no século XVI, com Hans, Nicolas Karcher e Jean Roost que trabalharam para o príncipe Ercole II e o cardeal Ippolito produzindo inúmeros trabalhos de tecelagem baseados em pintores italianos em moda na corte, eles tinham que seguir uma idéia pré definida porém livremente, podendo acrescentar mais detalhes e personagens caso considerassem interessante.

Outro centro italiano importante em tapeçaria foi o de Florença, profissionais como Jean Roost passaram a atuar em Florença em 1537, por conta do pedido de duque Cosimo I e em 1546 Nicolas Karcher passou a viver e produzir em Florença também, recebiam encomendas vindas de Veneza e até da Espanha, em meados do século inúmeros ateliês começavam a se concentrar na cidade, porem com a morte do duque Cosimo I em 1574, iniciou-se a decadência desse centro.

Ao mesmo tempo na cidade de Ferrara, havia funcionado outro ateliê importante: o da cidade vizinha de Mântua, nessa época eram constante o tráfego de artistas entre essas duas cidades.

O estudo da produção dessa época na Itália é escasso pelo fato de que a maioria das produções terem desaparecidas, restando apenas seus registros, quando haviam tais registros..

O tema típico, bastante explorado foi o de crianças brincando. Existe um castelo em Milão que é conhecido como” O Castelo dos Sforza” que possui uma coleção de tapeçaria incompleta que retrata a historia de Moisés, essas tapeçarias foram produzidas na cidade de Mântua com base no trabalho do pintor Giulio Romano.

O espírito renascentista penetrava aos poucos em outros lugares como Bruxelas e França.

No inicio do século XVI, os ateliês de Arras estão sem força de atuação e os de Paris estão dispersos, 1512 com a invasão inglesa desaparece o ultimo grande centro de tapeçaria francês, por conta do medo da invasão os tecelões se dissiparam, Paris ficou quase meio século sem um centro de tecelagem, produções eram feitas de maneira individual e bastante tímida.

Durante esse tempo, a tapeçaria deixou de atender exclusivamente a casta real, possuindo uma nova clientela: a burguesia.

As produções passaram a ser independentes, muitos tecelões partiram para Holanda, Dinamarca, Alemanha, Hungria e Itália que por sinal era a capital do mundo da arte ocidental naquela época.

O papa Leão X fez uma encomenda à Van Aelst “Os atos dos Apóstolos”, usando desenhos de Rafael e seus alunos, essas tapeçarias seriam posteriormente destinados à Capela Sistina do Vaticano, teriam que ser fieis à proposta estabelecida, o conjunto de obras foram expostas em 1519 causando grande admirações e inúmeras réplicas, a partir desse trabalho o papa e outros soberanos religiosos da época fizeram inúmeras encomendas aos tecelões que seguiam idéias pré estabelecidas, podendo modificar a composição, relevos, contrastes, tons e cores segundo os fios disponíveis.

Mas ao passar do tempo a pintura começava a reinar com mais força, pintores como Rafael, Mantegna,Giulio Romano e Bernard van Orley entre outros, passaram a ser os “fornecedores dos desenhos” a serem desenvolvidos na forma de tecelagem amando da corte.

Devido ao aumento de pedidos, pressões para entregas a tapeçaria nessa região começou a mudar, detalhes como borda entre outros deixaram de existir.

Entre as pessoas que viviam na frança, inúmeras preferiam as tapeçarias confeccionadas em Bruxelas, como a procura aumentou e isso não era rentável para a corte, o governo daquela época resolveu investir nesse campo, desde 1539 houve tentativas de tentar montar manufaturas no próprio pais da frança, para inicialmente atender a demanda real, com Henrique IV já se havia formado uma idéia muito clara sobre a industrialização na frança no campo das tapeçarias.

Em 1601 dois primos flamengos, Marc de Comans e François de La Planche, montaram a primeira manufatura importante da França no lugar chamado “Os Gobelinos”, que logo depois receberia o apoio real, em 1662 ocorria a descentralização desse centro,dando origem à ‘Grande Manufatura dos Gobelinos” se tornando um sinônimo mundial de tapeçarias, o primeiro diretor desta nova manufatura foi o primeiro pintor do Rei Luís XIV, Charles Le Brun, que foi responsável por obras como : “A História do Rei”, “Casas Reais”, “As estações”, “Triunfos dos Deuses”, “As Índias”, etc.

A tapeçaria como manufatura foi se difundindo aos poucos no território francês, em 1665 ao sul foi oficializada mais uma manufatura e ao norte em 1689.

Além dessas grandes manufaturas reais ou protegidas, existiu na França, nos séculos XVII e XVIII, um número incontáveis de ateliês locais.

Com o decreto do Rei Henrique IV, os irmãos se viram obrigados a montar pelo menos 80 teares, sendo que 60 foram montados em Paris e 20 na cidade de Amiens que já havia um centro têxtil desde 1604.

Muitas tapeçarias importantes foram produzidas na cidade de Amiens, baseadas nos trabalhos do pintor Vouet, embora o número de ateliês tenha crescido consideravelmente, existia sempre a imitação da pintura, era como se fosse uma cópia, pois não existia ainda máquinas fotográficas, existiam inúmeros tons,as tapeçarias eram produzidas em série, economicamente a tapeçaria estava sendo muito rentável,técnicas eram aprimoradas entre elas as formas de tingimentos dos fios, nessa época os teares podiam trabalhar com mais de 14.400 tonalidades diferentes, ao contrario da idade média onde se trabalhava no máximo com 40 cores.

A tecelagem não mudou até meados do século XIX, por muito tempo a tapeçaria não teve uma “forte presença’, era considerado apenas como objeto de decoração.

A tecelagem como linguagem de arte, vem se erguendo ao passar dos anos na nossa época moderna, pode-se dizer que a arte contemporânea contribui para isso, inúmeros artistas nos dias de hoje produzem a partir da linguagem da tecelagem dentro do contemporâneo.

No Brasil existe inúmeros artistas que trabalham com a tecelagem, entre eles é interessante destacar: o artista plástico paraibano Antõnio Dias que é pioneiro desta linguagem no contexto nacional;explorou vários meios e técnicas: partiu da pintura para o objeto e do objeto para a fibra;começou a fabricar o papel no Nepal junto aos camponeses;

Interferiu na vida de Barabishi uma comunidade napalesa, onde os camponeses eram acostumados a fazer só um tipo de papel. Propôs aos camponeses colorirem com processos naturais, vegetais ou minerais, criando novos formatos de papel através de técnicas diferentes. Em suas obras há: riqueza em simbologia, envolve aspectos arqueológicos até atualidades, seus instintos são fortes quanto à morte e seu maior referencial é o nordeste ou cria simplesmente revelando a riqueza das contraposições e recortes.


Referências Bibliográficas



MARINS, Marina. Breve história da tecelagem. Disponível em: . Acesso em: 2 maio 2009.



Linha do Tempo das Artes Plásticas. Disponível em: . Acesso em: 3 maio 2009.



O que é Renascimento? Disponível em: . Acesso em: 3 maio 2009.

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